15 O devorador de almas

Um alerta aos humanos: fujam dos lugares escuros. Durmam de olhos bem abertos e de preferência, em locais bastante iluminados, senão, Vlossxlon pode aparecer, de repente, e transformá-los em mortos vivos!

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A prisão de Doothyr-Van-Sýg-Mierr não é como as prisões convencionais conhecidas. Considerada de segurança máxima, foi construída de acordo com a tecnologia mais avançada e sofisticada da qual se tem conhecimento, e envolveu as mentes mais brilhantes do Universo. A sua criação representou o alívio geral para muitos planetas e numerosos mundos, que se viram livres dos elementos mais perigosos e nocivos de suas sociedades e da Via Láctea. Considerada inexpugnável devido ao seu processo de enclausuramento circular com celas oclusivas por aposição centrífuga; cada prisioneiro se encontra num espaço distendido numa pequena e exígua fração de tempo oposto ao movimento orbital externo à estação. Esse limite de espaço/tempo envolve o prisioneiro num vórtice negativo de energia, no qual nenhuma reação coincide com uma ação contrária e, em caso de alguma tentativa de fuga, as pétalas deflexivas externas se fecham num imenso casulo, ou Ovo de Van-Sýg, gerando em seu interior uma corrente de gases magnéticos próximos às descargas cósmicas. E devido à complexidade do formato circular das celas que se afunilam para o centro, essa massa gasosa vai comprimindo, sob uma pressão muito alta e absurda os prisioneiros em seus cubículos, até chegar no centro, onde se encontram aqueles seres considerados de alta periculosidade.

A sua localização era mantida em total segredo e representava um mistério para os navegadores estelares. Somente uns poucos é que sabiam da sua verdadeira localidade, mas evitavam comentar tal assunto, somente para não mencionar Ang-licon, a estrela morta, obscurecida pela zona de tempestade, e pela corrente compacta de meteoritos enegrecidos do que fora, segundo a lenda, o planeta Saron-th; onde habitaram milhões de vidas, cujas energias negativas ainda eram pressentidas. Em meio a esse espaço repleto de despojos, dejetos cósmicos e fedendo a morte milenar, se encontrava a prisão de Doothyr-Van-Sýg-Mierr que, vista de longe, era apenas um imenso bolor sem vida.

Às vezes uma das pétalas externas coincidia suas lâminas com o brilho longínquo de alguma estrela cadente e podia se perceber furtivamente outras milhares de pequenas pétalas presas por pistilos de aço e cristais esbranquiçados. No mais, tudo se encontrava em constante penumbra.

Dentro da prisão a organização era mecânica; não existindo a presença de guardas; apenas sondas sentinelas que interagiam com cada prisioneiro, liberando para cada um suas reservas de alimentos de acordo com a espécie ou raça detida. Nas áreas externas e médias ficavam os presos cujas sentenças não ultrapassavam períodos muito longos, mas à medida em que se aprofundava para estágios de celas menores e mais isoladas no núcleo, percebia-se uma mudança radical. Todas as celas oclusivas terminavam em uma onde se encontrava, possivelmente, o ser mais hediondo, repugnante, selvagem e animalesco de Doothyr-Van-Sýg-Mierr. Oriundo de um planeta pouco conhecido chamado apenas de Ulhir, pertencente à nuvem galáctica ÅL-Bhaa, bifurcado no meridiano de Sheenun a 170 graus do conglomerado de Ats-Hoc. Trigésimo astro de um grupo de 83, com atmosfera de 78% de partículas de ácido gefranium, 12% de oxigênio, 5% de hidrogênio líquido e 10% de outros gases mutantes.

A união daqueles elementos, mais a participação de alguma forma rústica e estranhíssima de natureza animal local, gerou Vlossxlon, aquele ser imerso em consistência plasmática e soro protéico congestionado em subdivisões dimensionais. Subjugado por potentes cargas de “Nurión”, que paralisavam seus circuitos cerebrais, impossibilitando-o quaisquer formas de imagens, projeções temporais alucinógenas ou reações psicomotoras. As sondas sentinelas que vigiavam essa criatura, que dependendo do ângulo incidental de luz se confundia com o licor plasmático, acrescentavam continuamente química de alto contraste através dos plasmodesmas umectantes, garantindo assim sua plena visibilidade. Nas celas anteriores os procedimentos eram menos rígidos do que naquela, contudo, mantinham o padrão e organização disciplinar idênticos. Cada sonda sentinela estava conectada às pétalas externas, num sistema único de segurança e vigilância constante e exemplar.

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Sobre dekowes

Escritor, Jornalista, artista gráfico, web designer e videomaker. Resido em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, curto caminhada e pratico Swàsthya Yoga.

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