17 Inimigo Hostil

Certo dia na estrada de Itaipava, distrito de Petrópolis, RJ, dezenas de jovens apareceram distribuindo flores muito perfumadas aos transeuntes e motoristas… E algo muito estranho começou acontecer às pessoas que receberam as flores…  Você não gostaria de saber, mas um conselho: Nunca aceite flores de estranhos!

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Delphyr é o décimo oitavo planeta do Sistema Solar localizado na Via Láctea. É, por assim dizer, o último da organização planetária. Foi descoberto segundo consta nos Anais da Biblioteca Universal, muito antes do planeta Terra, o terceiro planeta da ordem, passar pela sua penúltima e terrível catástrofe cósmica. Possui atmosfera semirrarefeita e aspectos interessantes na sua movimentação espacial quando, em determinadas épocas da sua evolução, afasta-se para longe, recebendo luz e calor de outro astro solar, posicionado em outro Sistema Solar menor que, coincidentemente, atravessa o seu caminho. E essa mudança climática, ocorrida a cada 85 mil anos, altera e exerce uma considerável influência na sua atmosfera, principalmente sobre o ecossistema, pois durante os 2.430 dias que demora a dar uma volta no seu eixo mais os 848 para realizar as noites completas, quando tem a sua aproximação mais crítica, Delphyr penetra na zona de atração modificando o seu movimento cíclico para uma súbita parada, enquanto rotaciona o seu eixo até o afastamento do Sol. E fora da sua atração magnética vai retornando ao seu giro normal e ao seu antigo plano de órbita.

Mas quando o seu polo se inclina atraído pelo sol do outro Sistema Solar, o calor vai processando lentamente o descongelamento milenar das calotas polares, compostas de sal amoníaco e outros elementos. E durante esse período acontece um fenômeno chamado “Posyra”: a atração exercida pelo sol sobre Delphyr cria uma espécie de zona de superaquecimento ou bolsão térmico concentrado muito forte, principalmente nas áreas centrais. E aquilo que a natureza deixou estagnado no fundo do gelo e camadas de hidrogênio metálico convulsiona no ar e se dissemina pelo planeta em busca de comida. A atmosfera, agora com quase 0,00021% de oxinitrogenado, não impede que minúsculas criaturas mutantes avancem enterrando seus esporões no solo repleto de crateras e pedregulhos, enquanto vão sugando complexos proteicos retirados do nitrogênio, do metano e da amônia em forma de gelo.

Abaixo, nas profundezas do solo, misturadas aos compostos salínicos e alcalinos, permanecem as criaturas que por suas dimensões seriam fatalmente esmagadas pela gravidade. Esses são os “Paghus”, seres parasitas vindos na cauda de um cometa, cuja rota muito próxima quase se chocou com Delphyr, contudo, depois de passar, deixou na superfície grande quantidade de nuvem plasmática e lixo cósmico. Esses seres ou animais, que vivem em imensas colônias ou grupos reduzidos, não possuem nenhuma forma expressiva, apenas uma massa volumosa, cheia de ramificações enraizadas que quando necessário servem para locomoção. Entretanto, têm o hábito de permanecerem estacionadas e subtraem dos “Volmeros”, as minúsculas criaturas naturais do planeta, o alimento; e após o período de sol, retornam para os subterrâneos com o triplo ou mais do tamanho e peso. Instalam-se nos Paghus e trocam com eles suas energias enquanto Delphyr faz a volta em redor do sol amarelo.

Venetrya, Maardük e Kartennia são os satélites artificiais e giram em sentido inverso ao sol e ao planeta. Venetrya possui atmosfera e a sua superfície é coberta por uma mistura de metano e nitrogênio congelados. Maardük é o maior de todos. E é quase a metade do tamanho de Delphyr. Tem o núcleo rochoso com tênue atmosfera de metano. Há indícios de que anteriormente não fosse um satélite, mas um planetoide com órbita irregular que foi atraído por Delphyr. É completamente gelado nos polos, e tem uma característica elíptica. Possui ainda um sistema de três anéis azulados. Kartennia, o menor de todos, é congelado, sem atmosfera e, visto de longe, reluz como um ponto metálico.

A entrada do planeta Delphyr em sua órbita original é realizada com o início do ciclo de fortes tempestades e furacões violentíssimos que varrem a sua superfície vulnerável, em fase de congelamento. E num torvelinho gigantesco de poeira, partículas de metano e amônia gelados, volmeros e raízes de Paghus são atirados ao espaço infinito, misturando-se às nuvens gasosas existentes que se dilatam pelo cosmo. E, assim, ficam estacionados anos-luz naquela mobilidade aparente, até que acontece uma explosão e origina nova expansão na atmosfera estelar e, por esse impulso, a nuvem se dispersa, se alonga pelo obscuro firmamento… A consequente emissão de ondas de gases explosivos desencadeia o lançamento de meteoritos para todos os lados e, quando esse tipo de evento acontece, os projéteis em tal velocidade atravessam zonas remotas do espaço em direção ao infinito ou desviam suas rotas para outros mundos, atraídos por seus campos gravitacionais.

A Terra é o quarto planeta do Sistema Solar cuja superfície é habitada. Os outros três são Aberr, Erbhus e Altaïre — claro que a presença de vida inteligente, neles existente, não é como se pressupõe (mas isso é assunto para outra história). Possui uma atmosfera diferenciada possibilitando a vida nas suas mais variadas formas e estruturas orgânicas. É um mundo magnífico levado às proporções da perfeita coordenação genética. Muito se sabe, pelos bastidores científicos galácticos, que o planeta é geologicamente o mais antigo do Sistema Solar, entretanto, a vida só foi implantada após as últimas transformações ocorridas quando, por ironia do destino, “aquele” que fora preparado para ser a “incubadora” da célula matriz e o desenvolvimento de uma criatura especial foi bombardeado por raios cósmicos intermitentes e chuvas de meteoritos constantes; sendo, portanto, abandonado e, a Terra, com a mistura de múltiplos gases provenientes de um processo seletivo natural, se tornou o “celeiro” ideal para a criação e organização do material nuclear.

A biodiversidade do planeta gerou comentários curiosos de cientistas renomados dos países baixos que se espantaram com a explosão dominante de determinadas criaturas, dentro do seu meio ambiente, revolucionando os conceitos até então sabidos como verdades inabaláveis.

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Sobre dekowes

Escritor, Jornalista, artista gráfico, web designer e videomaker. Resido em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, curto caminhada e pratico Swàsthya Yoga.

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