1 Trilogia Inócua | O Sobro do Demônio

Rhyell Sevla é um cidadão em busca de oportunidades; frauda os seus documentos, contando com a sorte, e recebe uma missão no planeta Xython.

  • “Diz uma antiga lenda que no final dos tempos, das profundezas do Universo, surgirá uma força mais poderosa que toda a natureza e envolverá todo o cosmo num vendaval terrível, e não sobrará, sequer, qualquer espécie de vida em toda a imensidão. Essa mesma lenda descreve sobre a horrível tortura que acorrerá em todas as almas plangentes. Alerta para a tremenda energia em forma eólica que sucumbirá com os acólitos enteus, descrentes e famigerados hereges. E no término da existência de toda a vida, dessa mesma energia se elevará o sopro primevo da essência… e o mundo não seria o mundo se não houvesse o hálito da besta fera!”

Até ali, tudo parecia fazer sentido. Não fosse a ponte de madeira derrubada, as manchas cinzentas de sangue pisado misturado com a terra, nem as marcas profundas do que eu supunha serem de pés, a natureza, em todo o seu esplendor, eclodia numa tarde primaveril. Ou seria de outono? Já nem me lembro mais… Desde que voltei daquela missão ao planeta Xython, a minha vida mudou completamente. Mas eu tenho vida? Será que essa energia, que corre pelo meu corpo, eu posso chamar de força vital? Nas minhas lembranças, as memórias se perderam num emaranhado de imagens, e eu preciso me sentar para não cair. Fico zonzo só de pensar que já respirei outro ar, aspirei outros ventos e vivi dentro de outra vida. O que me faz consciente disso tudo são as pegadas deixadas à minha frente. Observando melhor, percebo que, o que eu acho que seja a minha frente, é na verdade atrás! Não posso me confundir. As pegadas estão se distanciando, alongando-se, dispersando-se, como se o ser espacejasse mais as suas passadas.

Mas o que eu persigo?

A minha sombra de vez em quando parece que se esconde de mim, outras vezes se afasta disformemente e se perde na distância. E quando olho para aos lados, sinto uma brisa fria no meu rosto, apesar de todo o calor daquele sol azulado. Em que planeta eu vivo? Que espécie de ser eu sou? Não estou me referindo à minha condição de ser vivente, com estrutura pluricarbonada banhada em dióxido de dríliox e ácidos nucleicos derivados das protocélulas. Para isso tenho uma resposta. Falo do que me invade a alma! Isso é que me deixa confuso, perturbado!

Antes de partir para Xython, minhas reservas de energias viviam abaixo do limite crítico. Raspava os protídeos e glucídios acidulantes para sustentar apenas a minha máquina metabólica funcionando, quase em suspensão anabólica.

Mas, vocês devem estar imaginando por que estou falando tudo isso, sem me apresentar. Iniciei a narrativa do final… Ou foi do princípio? Bem não importa… Sou Rhyell Sev’la, cidadão do planeta Zygghte, localizado ao norte do quadrante Y, perto do que comumente chamamos de Galáxia de Andryöen, mas que vocês classificam como Via Láctea. Ficamos bem perto das grandes rotas comerciais interplanetárias. A raça zygghteana é dividida em duas castas: Infiltrante e Glóbulus. Já pertenci às duas. Como Infiltrante, já experimentei outras vidas, outros corpos, objetos, plantas; passei por experiências deveras inusitadas… E como Glóbulus, senti o que é não possuir nenhuma essência, apenas uma vida abjeta, sem nenhum significado, um desperdício!… Hoje, não sou nem um nem outro. Sou apenas um cidadão em busca de oportunidades!

(continua…)

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Sobre dekowes

Escritor, Jornalista, artista gráfico, web designer e videomaker. Resido em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, curto caminhada e pratico Swàsthya Yoga.

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