5 Orai e vigiai, pois eles nos observam

Uma equipe de cientistas vai ao planeta Uthy realizar pesquisas. O único sobrevivente, o Doutor Helyss More, narra as terríveis experiências pela quais todos passaram antes de morrerem. Hoje, o planeta se chama Terra.

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Uthy é um mundo inóspito e misterioso, localizado a leste da Nuvem de Ogahnt-19k79; o terceiro planeta de um sistema solar recentemente catalogado, e coberto por uma vegetação escura e oxigenada. Todas as naves que aterram por lá, não demoram quase nada; ficam apenas o tempo necessário para o descarregamento das mercadorias no entreposto, e depois tratam de sair o mais rápido possível. Geralmente não levam nada, como também não transportam nenhuma espécie de produto originário do planeta, mesmo porque bem poucos se aventuram a penetrar naquela floresta fechada, inviolável, para pegar alguma coisa exótica.

Muitas descobertas aconteceram por acaso; inclusive a existência do pântano, quando uma espaçonave em pane caiu naquela região, ficando quase submersa naquele lodo enegrecido e fedorento. O desespero dos tripulantes chegou às raias da loucura, quando descobriram que o salvamento somente viria horas mais tarde, e isso aconteceria justamente quando o planeta estivesse entrando na Zona Negra, e a equipe de resgate se negava a descer naquelas condições. A empresa preferia arcar com prejuízos totais a perder outra nave. Sabiam que o mínimo de tempo passado próximo àquele planeta era risco de vida.

O único lugar considerado aparentemente seguro ficava na região centro-oeste, perto da Grande Barreira do Diabo. Um local de difícil acesso, cercado por um muro vivo de espinhos venenosos, e um despenhadeiro altíssimo. Ali foi construído o entreposto de abastecimento, dentro de uma gruta natural. O seu interior era todo forrado de vilaniliun, uma lona de aço acrílico amoldável, e pelo lado de fora, radares e sinalizadores de navegação. Em caso de perigo iminente, enviavam sinais intermitentes de SOS para o espaço, até que alguma nave se predispusesse em socorrê-los.

Mas por que toda essa preocupação? Em determinadas épocas a rotação do planeta chega quase a parar, e as noites em Uthy se tornam intermináveis, e os dias muito curtos. O planeta vive continuamente sendo bombardeado por violentos raios cósmicos, partículas de energias subatômicas, tempestades de meteoritos e chuvas ácidas. Em consequência dessa profusão catastrófica de fenômenos, eventos e situações atmosféricas críticas, os seres que habitam abaixo da copa das árvores são criaturas estranhas que vivem em constantes processos rápidos de mutações, que variam desde minúsculos e ferozes insetos até gigantescas aberrações! Criaturas multiformes que vagueiam pela floresta. Não existe um espécime único da mesma raça, de uma geração. Cada ser ou animal que nasce em Uthy tem uma característica diferente da outra, chegando ao caos da evolução genética.

Bem; a essa mesma conclusão chegou uma expedição científica, muito bem preparada, que se arriscou em ir para o planeta estudar a vida animal, vegetal e mineral.

A nave ficou pousada sobre quatro pilotis de metais acima das árvores, mas estranhamente, pouco tempo depois, já estava quase no solo. E a equipe científica que fora equipada com instrumentação bastante sofisticada e mantimentos para permanecerem durante uma semana; no segundo dia, já suplicava para que viessem buscá-los, antes que todo o pessoal fosse devorado; e não podiam escapar com a nave, pois a mesma estava sendo engolida por uma espécie de parasita de origem animal.

Quando o socorro chegou, resgatou apenas os dois únicos sobreviventes que restaram. Estavam aterrorizados, em estado catatônico. Foram levados para a nave completamente petrificados. E se passaram muitos meses de tratamentos até que um deles, a Doutora Ynner, despertou, abaixando a barreira auto-hipnótica a que havia sido submetida. Mas, assim que se tornou consciente, olhou para os lados, e seus olhos se depararam com uma imensa imagem flutuante do seu planeta Mantus, deu um grito seco e morreu de um ataque tono-cardíaco fulminante.

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Sobre dekowes

Escritor, Jornalista, artista gráfico, web designer e videomaker. Resido em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, curto caminhada e pratico Swàsthya Yoga.

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