6 Linha de Montagem

O povo do planeta Hahrad é tão fascinado pela raça humana a tal ponto, que desenvolveu um sistema computacional denominado D.E.U.S (Desenvolvimento Em Unidades Semelhantes), em que com um toque e dez movimentos criava-se um ser humano em apenas 2 horas e com 10 anos de idade!  O tempo necessário para se ler o folheto contendo as explicações básicas sobre a criatura, enquanto se aguardava confortavelmente, na recepção, a gestação e a incubação do pedido.

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“… e Deus fez o homem à sua imagem e semelhança…”

Assim estava escrito na “Bíblia”, antigo livro sagrado do planeta Terra

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O planeta Hahrad possui muitas semelhanças com o planeta Terra; a começar pela complexa forma de vida carbonada, estruturada por milhões e milhões de moléculas, que integram diferentemente cada parte dos componentes dos seus corpos, numa intrincável rede de informação genética. Numa análise comparativa entre ambos os seres — com um humano capturado, é claro —, percebeu-se que, quando passados na máquina de performance estrutural biomolecular, que as modificações acontecidas em bilhões de anos de evolução foram pouco significativas, as duas raças sofreram pequenas transformações. Um humano e um hahradiano não possuíam nenhuma diferença interior nem exterior; as mesmas quantidades de ossos, órgãos funcionais e membros idênticos. Inclusive nas leituras neuro-cerebrais, as correntes elétricas mantinham o mesmo padrão, levando em consideração que os desníveis, entre um e outro, eram tão mínimos que os cientistas resolveram nem levar em conta.

Mas por que os cientistas do planeta Hahrad estavam tão interessados no planeta Terra? Qual importância possuía este planeta?

Já haviam praticamente capturado centenas de humanos de diversas regiões do planeta, como mostrava o imenso Salão Científico, onde se podiam perceber vários corpos protegidos por redomas transparentes, e flutuando em uma gelatina esverdeada de energia irradiante. Eram brancos, negros, amarelos, pardos, crianças, mulheres, homens, bebês e fetos em diversos estágios de crescimento. Toda aquela parafernália de equipamento estranho fazia parte das incessantes pesquisas que buscavam respostas, através das análises díspares, e dos resultados conseguidos até aquele momento. Pareciam mortos, mas não estavam; permaneciam em estado de hibernação metabólica, com seus organismos vitais funcionando fracionados a níveis baixíssimos. Havia apenas uma tênue linha de energia que os mantinha em animação suspensa, para a segurança e bem-estar de todos.

Desde que surgiram as primeiras criaturas antropoides na Terra, que eles começaram a capturá-los. No início, foi a cada período glacial em pontos remotos, depois em outros períodos do tempo, até que houve a necessidade de se recolocarem alguns humanos, em determinadas partes do planeta para que o mesmo não retornasse a eras bem mais primitivas, habitadas apenas por animais gigantescos. Realmente, foi uma época de bastante preocupação, pois havia mais bestas assassinas grassando pela imensa ilha — assim que era a Terra vista do espaço —, do que hominideos. Essa escassez foi que levou os cientistas de Hahrad, a tomarem uma decisão que afetaria e modificaria para sempre os habitantes do planeta: Estocar humanos!

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Sobre dekowes

Escritor, Jornalista, artista gráfico, web designer e videomaker. Resido em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, curto caminhada e pratico Swàsthya Yoga.

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