2 Trilogia Inócua | O Beijo do Anjo

Descobre que o planeta Xython é chamado de Terra, e agora, com três filhas e uma esposa incrédula, busca suas perdidas oportunidades enquanto vive como “humano”. Mas num belo dia percebe que terá uma nova chance.

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  • “… e o Senhor enviou seus Mensageiros para acolherem as almas aflitas… e lhes deu um prazo para restabelecerem a paz entre as criaturas…”

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— …SOCOOOOOORRO!! —  grito desesperado no instante em que o ar invade os meus pulmões. Estou todo molhado de suor. Ergo-me da cama completamente atordoado. Não compreendo. A criatura ao meu lado também se levanta assustada, mas me indaga num tom de voz carinhoso:

— O que aconteceu, meu amor? Teve aquele pesadelo novamente? Quando será que isso vai parar?

Então ela já sabe. Mas como? Olho para o seu rosto, surpreso. Procuro descobrir se é alguém que conheço.

Surgem mais três criaturas menores, alegres e sorridentes, pulam para cima da cama. Elas se parecem com a fêmea ao meu lado.

— Como vocês se chamam? — pergunto à que possui os cabelos negros e encaracolados.

Surpresas, as três se voltam para mim e com sorrisos nos olhos, jogam-se nos meus braços. A mais alta de pele bronzeada é quem responde.

— Pai, o senhor não se lembra mais de mim? Eu sou Isis, esta é a Tati, e ela é a Carolina.

Sou pai. Elas me chamam de pai! Olho novamente para os lados tentando me localizar. Onde estou? Como posso estar num lugar em que nunca estive…? Não me lembro… Mas eu tenho uma mulher e três filhas! Mas será que não é um sonho?

— Em que planeta eu estou? — pergunto àquela que me chamou de meu amor.

Parece que ela compreende a minha situação. Olha-me com ar carinhoso e sorri.

— Planeta Terra. E estamos casados faz quinze anos! Eu sou Ângela e temos três filhas…

O que aconteceu? Onde foi que tudo deu errado? Minha mente deu um branco. Só me lembro de quando… Quando mesmo? Quinze anos… O que ela quis dizer com isso? O que vem a ser anos?

Ela se levanta e abre a cortina do quarto. Uma claridade forte ilumina todo o cômodo. Minhas vistas ficam ofuscadas. Protejo os meus olhos com as mãos. Depois observo a paisagem do lado de fora. Uma onda vítrea em tom esverdeado que se perde no infinito… Um mar. Criaturas aladas de diversos tamanhos sobrevoam aquele espaço completamente azulado. Aquela luz amarelada toca suavemente a minha pele. É morna… Gostosa.

Não sei o que está acontecendo, mas tenho que sair dali. Tenho que sair… Livrar-me daquele corpo. Tento uma, duas, três, quatro vezes… Nada. Estou aprisionado! A sensação que tenho, é a de estar preso dentro de um invólucro de borracha que cede todas as vezes que tento sair, e que me puxa novamente para o corpo. As crianças gritam pela mãe. Eu disse gritam? Carolina sai correndo. Isis fica estática, olhando. Tati, a mais velha, se aproxima de mim e diz calmamente:

— Paizinho, o senhor não pode sair…

Por que ela diz isso? Sair para onde? Não quero ir para lugar nenhum. Só quero me livrar daquele corpo! Será que ela não entende….??? Espera aí… Como pode? Será que elas podem me ver?

— Paizinho, lembre-se: Oportunidade

(continua…)

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Sobre dekowes

Escritor, Jornalista, artista gráfico, web designer e videomaker. Resido em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, curto caminhada e pratico Swàsthya Yoga.

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